A nossa história

Tudo começou com uma inquietação

Em 1980, perante o drama humano vivido por centenas de milhares de refugiados vietnamitas, o Padre Pedro Arrupe, então Superior Geral da Companhia de Jesus, lançou um apelo simples, mas profundamente transformador: fazer algo. Levar alívio a uma situação de sofrimento extremo.
Deste apelo nasceu o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS). O que começou como uma resposta de emergência no Sudeste Asiático rapidamente se tornou uma missão global: acompanhar, servir e defender pessoas obrigadas a fugir das suas casas.

Mais de uma década depois, em 1992, essa missão ganha forma em Portugal. Numa fase inicial, o JRS dedica-se à formação de voluntários e à partilha de conhecimento sobre migrações e asilo, contribuindo para uma sociedade mais informada e consciente.

Mas a realidade depressa chama a organização a ir mais longe.
No início dos anos 2000, com o aumento dos fluxos migratórios, especialmente provenientes da Europa de Leste, o JRS começa a trabalhar diretamente com pessoas migrantes em Portugal. Responde a necessidades concretas – alimentação, apoio social, aprendizagem da língua, acesso ao emprego – sempre com o apoio fundamental de voluntários.

A intervenção cresce, aprofunda-se e diversifica-se. Em 2002, um projeto pioneiro, em parceria com a Fundação Calouste Gulbenkian, permite apoiar médicos imigrantes a verem as suas qualificações reconhecidas, abrindo caminho à integração de profissionais altamente qualificados no Serviço Nacional de Saúde.

Poucos anos depois, em 2006, nasce o Centro Pedro Arrupe: o primeiro centro de acolhimento temporário em Portugal para pessoas migrantes em situação de especial vulnerabilidade. Mais do que um espaço físico, representa um compromisso: garantir dignidade, segurança e acompanhamento a quem mais precisa.

Ao mesmo tempo, o JRS reforça a sua presença junto de instituições públicas e em contextos mais sensíveis, como centros de instalação temporária, contribuindo para uma abordagem mais humana no acolhimento e acompanhamento de pessoas migrantes.

Paralelamente, investe também no futuro: nas escolas, com projetos de sensibilização; na saúde, com uma resposta crescente nas áreas médica e psicológica; e na capacitação, promovendo autonomia e integração.
A partir de 2012, o acolhimento de refugiados torna-se uma dimensão central da missão em Portugal. E em 2015, face à chamada “crise dos refugiados”, o JRS assume um papel determinante na mobilização da sociedade civil.
Nasce a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), um movimento coletivo que envolve instituições, comunidades, autarquias e cidadãos em todo o país. Um exemplo de como a solidariedade pode ganhar escala e transformar-se em resposta concreta.

Desde então, o JRS tem vindo a reforçar e diversificar as suas respostas: centros de acolhimento, casas de transição, bolsas de intérpretes, comunidades de hospitalidade e novas formas de envolver a sociedade no acolhimento.
Em momentos de crise, como no Afeganistão ou na Ucrânia, o JRS respondeu com rapidez e capacidade de adaptação, acolhendo centenas de pessoas e criando soluções inovadoras como as Comunidades de Hospitalidade — onde a integração começa na proximidade e na relação humana.
Hoje, o JRS em Portugal continua a crescer, fiel à sua missão.
Mais do que responder a necessidades imediatas, procura criar caminhos de autonomia, integração e esperança.

Porque, antes de qualquer estatuto ou condição, falamos sempre de pessoas. E é com cada uma delas que esta história continua a ser escrita.

Pe. Pedro Arrupe

JRS no mundo

Hoje, o JRS Portugal integra uma rede internacional presente em quase 60 países, que acompanha anualmente cerca de 1,1 milhão de pessoas refugiadas, deslocadas e migrantes forçadas a abandonar as suas casas.

Na Europa, faz parte do JRS Europa, uma rede que reúne organizações em 23 países e que promove respostas conjuntas no acolhimento, integração e defesa dos direitos das pessoas refugiadas e migrantes.

Esta dimensão internacional reforça o trabalho desenvolvido em Portugal, permitindo partilhar conhecimento, responder de forma articulada aos desafios comuns e contribuir para uma missão global de acompanhar, servir e defender quem é forçado a fugir.

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A nossa história

Marcos históricos

1980

O Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS) foi fundado em novembro de 1980 pelo Padre Pedro Arrupe, SJ, então Superior Geral da Companhia de Jesus, como resposta à dramática situação dos refugiados vietnamitas após o fim da Guerra do Vietname. Perante o êxodo em massa de centenas de milhares de pessoas – muitas das quais perderam a vida durante travessias perigosas no Mar da China Meridional -, o Padre Pedro Arrupe apelou à mobilização da Companhia de Jesus para levar “algum alívio a uma situação tão trágica”. O que começou como uma resposta de emergência no Sudeste Asiático rapidamente evoluiu para uma missão global, com presença em múltiplos países e contextos de deslocação forçada.

1992

O JRS iniciou a sua atividade em Portugal em 1992, focando-se inicialmente na formação em língua portuguesa de voluntários internacionais sobretudo destinados a países de língua oficial portuguesa.

Paralelamente, o JRS assumiu um papel relevante na disseminação de conhecimento sobre os enquadramentos legais relacionados com o asilo e a imigração, contribuindo para uma melhor compreensão destes processos e dos direitos das pessoas migrantes e refugiadas.

2000

No final da década de 1990 e início dos anos 2000, o JRS começou a intervir diretamente com população migrante, sobretudo oriunda da Europa de Leste. Face ao aumento de pedidos de apoio – nas áreas social, alimentar, aprendizagem da língua portuguesa e integração no mercado de trabalho -, o JRS começou a desenvolver respostas de acompanhamento direto, sustentadas por uma forte componente de voluntariado.

2002

Com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, o JRS lançou o seu primeiro projeto de âmbito nacional, apoiando o reconhecimento de qualificações de médicos imigrantes. Este programa permitiu apoiar o processo de reconhecimento de qualificações de mais de uma centena de médicos imigrantes, que apesar da sua formação altamente especializada, se encontravam a exercer atividades pouco qualificadas. Como resultado, 106 médicos imigrantes integraram o Sistema Nacional de Saúde, contribuindo simultaneamente para um reforço da resposta do setor da saúde em Portugal.

2003

O JRS integrou a rede nacional dos CLAI, no âmbito de uma iniciativa do então Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas (atual AIMA), com o objetivo de descentralizar serviços e garantir um acompanhamento de proximidade às pessoas migrantes.

2005

Consolidação do trabalho psicossocial, de apoio ao emprego e capacitação, nomeadamente ao nível do ensino da língua portuguesa.
Neste ano o JRS foi também agraciado com um Louvor da Presidência do Conselho de Ministros, como prova de reconhecimento pelos serviços prestados à causa da imigração em prol dos imigrantes e do País.

2006

A 5 de maio de 2006, foi inaugurado o CPA, primeiro centro de acolhimento temporário em Portugal destinado exclusivamente a pessoas migrantes em situação de extrema vulnerabilidade. A criação deste espaço veio responder a uma necessidade urgente de apoio humanitário, proporcionando acolhimento, segurança e acompanhamento a quem se encontrava em situação de especial fragilidade. Este projeto marcou o início de um percurso de crescimento e diversificação das respostas de acolhimento promovidas pelo JRS em Portugal.

Citação de Pedro Silva Pereira, ministro da Presidência, presente na inauguração: “Este centro veio garantir uma resposta de emergência humanitária e preencher um vazio intolerável que existia na sociedade portuguesa porque, antes de serem imigrantes legais ou ilegais, são pessoas” Inaugurado primeiro centro de alojamento para imigrantes sem-abrigo.

A 10 de Outubro, foi assinado o primeiro protocolo com o SEF para a prestação de serviços de mediação sociocultural nos Serviços de atendimento ao público do SEF. Este protocolo representou um marco importante no reforço do apoio prestado às pessoas migrantes, permitindo assegurar o acolhimento, a triagem, o apoio, o agendamento, a prestação de informação e o reencaminhamento de cidadãos estrangeiros.

O ano de 2006, foi igualmente marcado pelo início da colaboração do JRS com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) na Unidade Habitacional de Santo António (UHSA), um centro de instalação temporária no Porto destinado a acolher migrantes sujeitos a medidas de afastamento do território português. Desde então, o JRS mantém uma presença diária neste espaço, contribuindo para a sua humanização através da prestação de apoio psicossocial aos migrantes ali detidos.

2007

O ano de 2007 assinalou o início da intervenção do JRS na área da sensibilização em contexto escolar para as temáticas das migrações e do asilo. Com o lançamento do projeto Bem-Vindos à Nossa Terra, foram dados os primeiros passos de um percurso que viria a tornar-se uma importante área de atuação da organização.

2008

O JRS foi consolidando uma resposta integrada às necessidades das pessoas migrantes, através de serviços de apoio médico e de saúde mental.

2012

Em 2012, o JRS iniciou o acolhimento de refugiados ao abrigo dos mecanismos europeus de proteção internacional, reforçando uma dimensão da sua missão que viria a ganhar crescente relevância nos anos seguintes.
Neste ano, o JRS recebeu também um louvor de Reconhecimento e Gratidão da Obra Católica Portuguesa para as Migrações

2014

O JRS acolheu um segundo grupo de refugiados chegados ao país ao abrigo do programa de reinstalação, assinalando um passo importante no reforço da sua intervenção na área da proteção internacional.
No âmbito deste processo, o JRS passou a disponibilizar um conjunto de habitações de transição na Área Metropolitana de Lisboa, destinadas ao acolhimento e acompanhamento de famílias refugiadas durante a fase inicial da sua integração. Este modelo permitia proporcionar condições de estabilidade, segurança e proximidade, criando as bases necessárias para a construção de um projeto de vida autónomo em Portugal.
Neste ano o JRS foi agraciado com a Medalha de Ouro da Assembleia da República no âmbito do dia nacional dos Direitos Humanos

2015

Em setembro de 2025, o JRS cofundou a PAR, mobilizando instituições e comunidades locais para o acolhimento de refugiados em todo o país. Desde 2018, assume a coordenação desta rede nacional.
A denominada “crise dos refugiados” de 2015 constituiu um ponto de viragem na história do JRS Portugal. Perante a chegada de milhares de pessoas à Europa e os compromissos assumidos por Portugal em matéria de recolocação e reinstalação, o JRS assumiu um papel determinante na mobilização da sociedade civil portuguesa para o acolhimento de refugiados, tendo em conta a sua experiência nestas matérias. A criação da Plataforma de Apoio aos Refugiados permitiu envolver instituições, comunidades locais, autarquias, escolas, organizações religiosas e cidadãos num esforço coletivo de hospitalidade sem precedentes. Desde 2018, assume a coordenação desta rede nacional.

2016

O ano de 2016 ficou marcado pela resposta à “crise dos refugiados” e pela crescente especialização da intervenção do JRS nesta área.
Em parceria com a Câmara Municipal de Lisboa, foi inaugurado o Centro de Acolhimento Temporário de Refugiados (CATR). O JRS deu também continuidade ao acompanhamento de refugiados reinstalados.
Este foi um ano de transformação para o JRS, marcado pelo reforço das equipas, pela criação de novas respostas e pela consolidação do seu papel no acolhimento e integração de refugiados em Portugal.

2017

Em 2017, foi criada a Bolsa de Intérpretes, uma resposta inovadora para mitigar as barreiras linguísticas enfrentadas pelas pessoas refugiadas acolhidas em Portugal ao abrigo dos programas de acolhimento. Mais do que um serviço de interpretação e tradução, a Bolsa de Intérpretes afirmou-se como um instrumento de promoção do acesso a direitos, serviços e oportunidades de inclusão.

2019

Em 2019, foi lançado o Centro de Acolhimento de Évora, criado para assegurar uma resposta de acolhimento inicial às pessoas refugiadas chegadas a Portugal no âmbito dos programas de reinstalação e recolocação. Concebido como uma primeira etapa do processo de integração, este centro permitia acolher temporariamente os beneficiários antes da sua integração nas instituições da rede da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), cuja coordenação era assegurada pelo JRS Portugal. Este centro manteve-se em funcionamento até final de 2020.

2021

Em 2021, e na sequência da crise humanitária no Afeganistão, o JRS colaborou na evacuação, acolhimento e autonomização de cerca de três centenas de refugiados afegãos.
Neste ano surgiram também as Comunidades de Hospitalidade, uma resposta necessária à necessidade de acolhimento dos afegãos fugidos dos talibãs, reforçando a dimensão comunitária do acolhimento através da mobilização e acompanhamento de voluntários e parceiros locais.

2022

Perante as crises humanitárias da Ucrânia e do Afeganistão, o JRS expandiu novamente a sua resposta com a criação do Centro de Acolhimento Porto Seguro, no Seixal, em 2022, destinado ao acolhimento de requerentes de proteção internacional resgatados no Mediterrâneo, e do Centro de Acolhimento Cristo Rei, em Vila Nova de Gaia, criado para responder às crises humanitárias da Ucrânia e do Afeganistão. O ano ficou também marcado pela expansão das Comunidades de Hospitalidade e pelo início da construção do futuro Centro de Acolhimento de Vendas Novas.

2024

Desenvolvido em parceria com a Congregação Salesiana e a Arquidiocese de Évora, este centro veio reforçar a capacidade de acolhimento e acompanhamento de pessoas refugiadas e requerentes de asilo através de um modelo centrado na integração, autonomia e participação ativa na comunidade.

2025

Em 2025, o JRS assinalou 45 anos de missão ao serviço das pessoas refugiadas, deslocadas à força e migrantes em situação de vulnerabilidade no mundo. Ao longo de mais de quatro décadas, o JRS tem procurado acompanhar, servir e defender os direitos das pessoas deslocadas em dezenas de países, respondendo a crises humanitárias e promovendo caminhos de acolhimento, inclusão e esperança.